Corro o mais rápido que posso. Apenas corro. Sinto minhas patas saindo e se posicionando no chão. As pernas se flexionando. O arfar rápido de minha respiração falando a mim que eu já correra demais por enquanto. Não pararia agora. Estava tão perto... Não acreditava que antes achara tão difícil, impossível até, fazer isso. Caçar. E não eram bebês...
Cheguei próximo. Dei mais tensão nos músculos para saltar. Saltei. Algo me atingiu momentos depois... Tentei me agarrar ao cervo. Logo fui atingida novamente. Enxerguei em vermelho. E cai...
Acordei tempos depois com ruidos que não entendia. Logo eles tomaram som. Quando abri os olhos havia uma mancha que quando tomou forma percebi ser o lobo. Ele me chamava. Mesmo sem ele saber o meu nome sabia que ele se referia a mim pois falava o irritante apelido que me dera quando nos conhecemos.
- Bela dama...?! Oh! Você acordou.Que bom. Já estava preocupado que os ferimentos fossem graves.
Ferimentos? Que ferimentos? E porque me sinto tão letárgica...?
- Fico tão feliz que você esteja bem! Quebrou algumas costelas... Mas eu já imobilizei. Você vai ficar bem. Tome. Eu peguei para você... - Ele me estendeu um cervo.
Fui atingida? Ai... acho que não me lembro direito disso. Eu disse que não sabia fazer isso. Você não devia ter insistido.
- Coma... vai lhe fazer bem comer algo. Faz muito tempo que está dormindo.
Quanto tempo?! O que aconteceu exatamente? Olhei para baixo... Estava com o tronco imobilizado por longas folhas curativas. Ai... isso é um horror... Acho que vou ficar meio inútil nas próximas semanas. E então... Quanto tampo?
- Vamos... quando terminar vou lhe mostrar o lugar.
Eu olhei ao redor pela primeira vez de que acordei. Estava preocupada com outras coisas até o momento. Era uma caverna bem ampla... não, não acho que era uma caverna. Era mais um... um tronco de arvore oco por dentro? Que estranho.
Onde estamos? Que lugar é esse? E pela ultima vez... Quanto tempo fiquei dormindo?
Ele me olhava de um jeito estranho... Como se esperasse eu dizer alguma coisa. Mas o que se eu já estava falando?
- Não vai falar nada? - Dei um gemidinho baixo. Ele era o que? Surdo? Isso o perturbou. - Qual é o problema? As amarras estão apertadas demais? Está com dor? O que foi?
Qual é o seu problema? Não vai me responder as minhas perguntas? E então notei. Eu não estava de fato falando. Eu apenas havia pensado tudo o que 'disse' para ele. Mas por que não consegui falar até agora? Meu gemido desta vez foi de puro desespero.
- Qual o problema?! O que foi? Fale bela dama! Está me deixando preocupado.
A mim também... a mim também... Socorro! Por favor. Alguém tem de me ouvir!
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