terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tristeza'

O curandeiro me atendeu. Ele ficou remoendo umas ervas e pergaminhos. Mas no fim disse que não poderia me ajudar.

Ninguém poderia me ajudar. Apenas eu mesma. E o tempo. Depois de um tempo descobriríamos se eu voltaria a falar.

Lágrimas me escorreram aos olhos. O que eu iria fazer. Porque isso aconteceu comigo? Eu queria tanto ver meu irmão novamente!

Aquele lugar não me pertencia. Não enquanto ainda houvesse alguém com quem meu coração vagasse por ai. Eu tinha de encontrar Sirius. Só não sabia como. Só não sabia sem uivar para ele me responder pelo caminho. E nem como avisar ao lobo que me foi tão gentil que eu iria embora a procura de meu irmão.

As lágrimas correram mais fortes. Eu estava preocupada com ele. Espero que nada tenha lhe acontecido.

- Se acalme, bela dama. Não se preocupe com isso. - Eu me surpreendi. Como ele sabia que me preocupava com meu irmão? Ele viu minha expressão de surpresa e deu um leve sorriso de lobo. - Vá por mim. Logo, você vai voltar a falar.

Ah... claro. Ele achava que eu estava preocupada com a fala. Esse era o menor de meus problemas no momento. Minha expressão se nublou novamente e as lágrimas voltaram a correr com cada vez mais força enquanto eu me desalentava sobre as folhas caídas do oco carvalho.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Muda'

Semanas se passaram... Não consigo mais falar.
Os ganidos são vazios... Nenhum som sai direito. Nada tem um significado.
Já não sei mais o que fazer... Hoje vou ao curandeiro da aldeia da matilha dos caninos que é como se chamam estes lobos que aqui se reuniram... Os caninos.

- Olá bela dama... Sente-se melhor? - Rosnei para ele. Que mania irritante essa de me chamar assim! - Não faça isso. Sabe que agora não há como me dizer seu nome para eu parar de lhe chamar assim. De qualquer forma eu não pararia então não há por que rosnar.

Rosnei mais uma... duas... três sem parar. Ele não podia me dizer o que eu deveria ou não fazer. Embora não pudesse falar eu poderia mantê-lo quieto ao máximo.

- Venha bela dama... O curandeiro Silver vai vê-la.

Ele me levou por uma clareira de lindas cores até um grande e velho salgueiro. Suas raízes para fora da terra formando uma espécie de caverna húmida. O mesmo local em que acordei...

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Silêncio'

Orelhas para trás.... Corpo abaixado... Tensão e leveza... Farejo minha presa... E corro.
 
Corro o mais rápido que posso. Apenas corro. Sinto minhas patas saindo e se posicionando no chão. As pernas se flexionando. O arfar rápido de minha respiração falando a mim que eu já correra demais por enquanto. Não pararia agora. Estava tão perto... Não acreditava que antes achara tão difícil, impossível até, fazer isso. Caçar. E não eram bebês...

Cheguei próximo. Dei mais tensão nos músculos para saltar. Saltei. Algo me atingiu momentos depois... Tentei me agarrar ao cervo. Logo fui atingida novamente. Enxerguei em vermelho. E cai...
 
Acordei tempos depois com ruidos que não entendia. Logo eles tomaram som. Quando abri os olhos havia uma mancha que quando tomou forma percebi ser o lobo. Ele me chamava. Mesmo sem ele saber o meu nome sabia que ele se referia a mim pois falava o irritante apelido que me dera quando nos conhecemos.

- Bela dama...?! Oh! Você acordou.Que bom. Já estava preocupado que os ferimentos fossem graves.

Ferimentos? Que ferimentos? E porque me sinto tão letárgica...?

- Fico tão feliz que você esteja bem! Quebrou algumas costelas... Mas eu já imobilizei. Você vai ficar bem. Tome. Eu peguei para você... - Ele me estendeu um cervo.

Fui atingida? Ai... acho que não me lembro direito disso. Eu disse que não sabia fazer isso. Você não devia ter insistido.

- Coma... vai lhe fazer bem comer algo. Faz muito tempo que está dormindo.
 
Quanto tempo?! O que aconteceu exatamente? Olhei para baixo... Estava com o tronco imobilizado por longas folhas curativas. Ai... isso é um horror... Acho que vou ficar meio inútil nas próximas semanas. E então... Quanto tampo?

- Vamos... quando terminar vou lhe mostrar o lugar.

Eu olhei ao redor pela primeira vez de que acordei. Estava preocupada com outras coisas até o momento. Era uma caverna bem ampla... não, não acho que era uma caverna. Era mais um... um tronco de arvore oco por dentro? Que estranho.

Onde estamos? Que lugar é esse? E pela ultima vez... Quanto tempo fiquei dormindo?
 
Ele me olhava de um jeito estranho... Como se esperasse eu dizer alguma coisa. Mas o que se eu já estava falando?

- Não vai falar nada? - Dei um gemidinho baixo. Ele era o que? Surdo? Isso o perturbou. - Qual é o problema? As amarras estão apertadas demais? Está com dor? O que foi?

Qual é o seu problema? Não vai me responder as minhas perguntas? E então notei. Eu não estava de fato falando. Eu apenas havia pensado tudo o que 'disse' para ele. Mas por que não consegui falar até agora? Meu gemido desta vez foi de puro desespero.

- Qual o problema?! O que foi? Fale bela dama! Está me deixando preocupado.

A mim também... a mim também... Socorro! Por favor. Alguém tem de me ouvir!

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O caminho entre a relva'

- Por aqui bela dama - Ele abriu um espaço entre as folhagens. - Nessa direção. Consegue sentir o cheiro?

- Qual deles? O de orvalho ou o de flor de macieira? - Resmunguei com sarcasmo. Meu humor andava péssimo nos últimos dias por causa da caminhada sem fim e do fato dele viver me irritando. Sem falar da fome que eu tinha no momento. - Ou será que é o cheiro de café da manhã que eu não estou sentindo?

Ele suspirou. Ficava angustiado quando eu reclamava. Por razões que eu desconhecia. Ele parecia um tanto protetor.

- Estamos quase chegando lá. Me desculpe... eu deveria arranjar algo para você comer. Mas estamos tão perto que eu não consigo me conter e parar para fazer isso. - Resmunguei ao ouvir meu estômago roncando. Ai... E ele certamente também ouviu pelo que disse a seguir. - Vamos procurar alguns cervos e quando estiver satisfeita continuaremos.

Meu estômago embrulhou com esse comentário. E com a fome a sensação se tornava pior ainda.

- Vamos. - Disse ele me empurrando de leve com a cabeça. Quando não me mexi ele perguntou. - Qual o problema? Pensei que estivesse com fome...

- E estou... só que...

- Só que...? - Ele estava com uma curiosidade sincera agora. E para mim um tanto mórbida na verdade. - Fale.

- Eu sei caçar apenas filhotes. Não fui ensinada a caçar animais maiores. Essa foi uma das razões para eu e meu irmão termos saido a procura de uma matilha.

Ele não riu como esperava. Pelo contrario. Deu um sorriso triste. E mais um leve empurrão. Dessa vez como não esperava pelo movimento forte demais para a normal leveza e gentileza dele quando comigo acabei cedendo a pressão. Cambaleei alguns passos.

- Não se preocupe... Eu te ensino. Sinto muito.

Ah! Claro... Ele entendeu o porque de eu ter dito isso a ele. Contei a tempos sobre meus pais. Ele não iria rir disso. Muito gentil lembrei-me. Gentil embora irritante. Eu não deveria ser tão dura com ele. Não deveria mesmo. Tentaria ser mais compreensiva. Tentar ao menos prometi a mim mesma. O que não significa fazer no entanto. Umas poucas tentativas. Se eu conseguisse melhor.

- Obrigada...

- Disponha sempre, Bela Dama. - Ser gentil... ser gentil... lembrei-me.

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Armadilha Nem Tão Fatal'

E ali estava eu ao lado de um outro lobo que não meu irmão... Que estranho destino era o meu...

Andavamos em meio ao nada para destino... lugar nenhum. A floresta podia ser um lugar muito estranho quando se estava perdido...

Eu não estava de fato perdida é claro. Mas tão pouco sabia para onde estavamos indo. E isso me irritava muito. Não saber. Isso é tudo o que minha vida toda eu evitei que acontecesse. Não saber era algo desconfortavel para mim pois significava correr riscos de cair em uma armadilha.
 
- Cuidado! - E por falar nas malditas armadilhas de caçadores... O lobo com quem eu andava estava prestes a cair em uma. Um fio prateado que mal podia ser reconhecido se estendia na relva. Quando ele pisasse ali... Eu o empurrei para o lado. Isso o salvou. Mas infelizmente fez com que eu caisse na própria por falta de tempo para me esquivar. Essa era a terceira vez em minha voda em que eu caia em uma armadilha. E a segunda em que isso aconteceu por culpa de outro lobo. Na primeira eu era jovem e não havia aprendido sobre elas. Na segunda foi meu irmão quem caiu em uma emboscada. - Argh! Me tire daqui seu infeliz.
 
- Caramba! O que houve? - Como ele podia estar tão espantado? Que imbecil! Nem notou o que aconteceu.

- Você ia cair nessa armadilha e por eu ser uma idiota e ter tentado te ajudar quem acabou caindo fui eu. - Expliquei a ele. - Agora me tire desta maldita rede antes que venha um caçador!
 
- E como eu faço isso?  - Ele nunca desmanchou uma armadilha? E pelo jeito nem sabia como perceber uma...
 
- É simples. Você tem que cortar aquela corda na árvore com seus dentes. Ou com uma das garras se preferir.
 
- Certo. - Ele fez exatamente o que eu falei. A rede se soltou e eu cai. Droga. Isso dói.
 
- Será que dava pra ter mais um pouco de cuidado?... Ai... - Reclamei.
 
- Desculpa... E de nada. - Que desculpas fajutas. Ainda assim seu sussurro me pareceu sincero. E com uma estranha fervosidade ao fundo que eu não soube interpretar. Uma vez que eu tenho uma espécie de detector de mentiras interno não questionei sobre isso.
 
- Da próxima vez olhe por onde anda bola-de-pelos. - Resmunquei.
 
- Não vai nem dizer obrigada por eu ter te tirado da armadilha?
 
- Não. Por que eu deveria? Para começar quem deveria dizer obrigada é você. Eu é que tirei você do caminho para que não acabasse caindo na armadilha. E também deveria ter pedido desculpas por ser tão idiota uma vez que eu cai nela por sua culpa.
 
Ele pareceu perturbado por minha afirmação. Percebeu que eu tinha razão. Ótimo. Assim ele vai tomar mais cudado daqui para frente.
 
- O... Obrigado. E me desculpe por te-la feito passar por isso bela dama.

- E não me chame assim pulguento! Mas que... - Respirei fundo para não chinga-lo. - Pare com isso.
 
- Não acho que possa...
 
- Sim você pode! - Respirei fundo novamente. Mas que coisa... nunca havia ficado tão irritada antes com ninguém. Nem mesmo com meu irmão. O que havia de errado comigo?
 
- Me desculpe... - E aquela estranha fervosidade continuava ali... por que isso parecia me deixar tão arrasada sem motivo algum? - Mas acho que não vou parar de me referir a você assim... Então acostume-se bela dama.
 
Contive-me para não soltar um uivo agoniado. Mas que raiva! Idiota, idiota, idiota.
 
- Maldição! - Gani comigo. - Maldição, besteira e idiotice. Os corvos, acredito, vão ficar brancos em breve.
 
Aquele era meu insulto favorito quando me irritava. Ele me deixava mais calma. Serena. Minha mãe dizia isso sempre que se irritava consigo mesma. Peguei esse habito dela... fico feliz em notar como somos parecidas...

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Um anjo instisfeito. Enola ao contrario de iris. E você minha querida primula? Ainda atrás de seu morrião vermelho? O lirio do narciso és tão parecido com a rosa das tagetes não achas?
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domingo, 25 de julho de 2010

Neblina'

Quando acordei sentia-me pessima... se devido ao frio terrivel ou ao fato da fome me torturar eu ainda não tinha certeza.

Levantei-me de onde estava e me preparei para caçar. Tinha que me alimentar logo. Eu faria isso o dia inteiro se preciso. Preparei minhas presas e ajeitei o pelo. Mas quando olhei ao meu redor vi que a neblina ainda não havia se dissipado. Isso dificultaria as coisas. Nunca fui tão boa como caçadora a ponto de saber me vira numa caçada sem enchergar minha caça.

Teria no caso de seguir meu faro e os instintos. Talvez eu tivesse mesmo que ficar caçando o dia todo. E a noite também.

Deixei-me levar pelos instintos e ignorei qualquer pensamento mais complicado me alertando. Os instintos basicos me manteriam viva. Os de sobrevivencia, caça e proteção eram tudo de que eu precisaria.

Logo localizei um rastro fraco a meu alcance. Deixei-me levar feliz por não ter sido tão difícil como eu pensara a inicio. Não, foi muito dificil sim. Mas de qualquer forma não demorou mais do que meia hora.

Não foi bem uma luta da parte de minha... por falta de palavra melhor... 'vitima'. Eu era forte de mais. Ele não era muito mais novo do que eu... mas era de fato menos experiente. Fácil.

Delicioso. Corri mais alguns metros na esperança de encontrar algo um pouco maior como um javali ou um filhote de puma. Isso seria maravilhoso. Mas improvável infelizmente. Não importava, doía menos quando me movimentava. Com a fome abafada entendi que realmente não deveria ter dormido ao ar da noite. O frio havia me açoitado seriamente. Mas de qualquer forma não estava tão ruim. Melhoraria assim que descansasse um pouco no calor de uma caverna. Não me esqueceria disso hoje.

Um galho se quebrou em um lugar próximo. Um animal grande estava por perto uma vez que eu não quebraria um galho de maneira tão despropositada. E nenhum animal pequeno teria tamanho o suficiente para tal ato. Alertei-me imediatamente.

- Snarl! - Algo ou alguém pulou em minha garganta. Não foi necessariamente doloroso como aquele ato deveria ser percebi... Apenas... desagradável.

- Growl... - Rosnei de volta. Não estava com paciência para joguinhos. Me esquivei de seu aperto e posicionei-me melhor para atacar. Com os dentes a mostra rosnei mais uma vez. Minha mãe havia me ensinado há muito que permanecer com os dentes a mostra não é apenas uma mania boba. Isso desencorajava muitos predadores. Nossos dentes e garras são nossas armas e eles era uma espécie de ameaça. - Snarl!

- Mas o que?!...

- Gah! - Não seria possível seria? Era outro lobo... Caramba. Não. Não posso pensar nisso... Se ele me atacasse novamente eu iria mata-lo. Não seria idiota de deixar que esse fato me abalasse.

- Você... Quem é você? - A surpresa e o choque tomaram seu rosto. Eu por minha vez mantive o rosto sem expressão alguma. Reprimindo meus sentimentos e pensamentos. 'Cara de paisagem' como sempre me dizia meu irmão quando se referia a meu humor.

- Acho que posso dizer o mesmo não é?... Afinal, resolveu não me atacar? - Minha voz era tão fria quanto meu rosto. Mas por dentro eu fervia em raiva, choque e surpresa. Não deixaria ele perceber isso é claro. Nem deixaria tão pouco isso afetar minha luta.

- Deus! Me desculpe. Me desculpe mesmo! Por favor... Eu não tive essa intenção. A princípio talvez... admito. Mas não sabia que se tratava de... Bem... Você sabe...

- Outro lobo? Claro...

- Uma dama. Não me leve a mal eu realmente não queria... - Não prestei muita atenção no resto. Uma dama? Eu? Impossível. Ninguém nunca havia me chamado assim antes. Eu... Como? Ele deve ter batido a cabeça para me confundir primeiro com um inimigo e em seguida com uma dama.

- Dama? Do que você está falando? Eu a pouco estava pensando em matar você. Tem que ter visto isso. Eu avisei inclusive. Por que acha isso?

Um sorriso de lobo se abriu em seu rosto...

- Uma dama não é aquela que age como esnobe. É aquela que tenta fazer com que todos ao seu redor se sintam confortáveis. E eu acho que é o seu caso... Por que caso contrario estaria tentando me humilhar por minha tremenda idiotice agora a pouco.

- Idiotice. Boa definição. De qualquer forma ainda acho que está errado com relação a eu ser uma dama. Não importa... essa discussão é inútil de qualquer forma.

- Ainda acho que a senhorita é uma dama. - Isso estava ficando cada vez mais estranho...

-Discussão inútil.


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is air und seg mpo oca esd lor rad ont enc nia ego lib goa olo eit erf orp eam ant rit air zem lfa isa air eir rim dop ura mdo cri ale
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dor'

Há alguns dias eu e meu irmão nos separamos a procura de outros da nossa espécie. É complicado... Eu não gostava de deixa-lo. Mas com a escassez de comida precisávamos achar logo uma matilha que nos acolhesse e ensinasse a caçar presas maiores do que filhotes e coelhos. Era difícil encontrar. Manteríamos contato com os uivos e pássaros. Eles são muito convenientes como mensageiros se bem manipulados.

Eu andava pela floresta na noite sombria e enevoada. Mal podia ver uma pata a minha frente. Mas podia ouvir os rumores da noite. Gostaria muito de ser capaz de enxergar ao menos a lua. Ela estaria linda como em todas as outras noites.

Sou grata ao sol, pois sem ele nunca se enxergaria a lua. É preciso haver um equilíbrio sempre. Sem o sol, não há lua. Sem o dia, não há noite. Sem o mal, não há o bem. Sem o ódio, não há o amor.

Andava por todos os lados vendo o suficiente apenas para não bater em arvores e rochas e não cair em penhascos e cachoeiras. A fome me açoitava. Pensei em como estaria se saindo meu irmão. Provavelmente não muito melhor do que eu. Que ironia. Eu sempre fora melhor caçadora e lutadora do que ele. Apesar de eu conseguir apenas caçar animais pequenos - Nossos pais não nos ensinaram a lidar com maiores. Eles iriam fazê-lo no dia em que morreram. Não houve tempo suficiente. Era para nós termos morrido graças a isso mas como sabíamos pegar pequenas presas e pescar conseguimos com muita sorte sobreviver. Foram anos muito duros para nós. - sempre fui impressionantemente bem como lutadora. Quase tão boa quando minha mãe. Ela me ensinou desde que eu aprendi a andar enquanto meu pai o fazia com meu irmão - Que hoje não me supera nem de longe. - que agora treina comigo.

Ouvi alguns sons em moitas próximas. Um esquilo. Eu estava faminta. Aquilo teria de servir enquanto a névoa da noite não se dissipasse. Por muito pouco não comecei a roer os ossos quando terminei. Avancei continuamente a procura de uma caverna onde me abrigar. Continuaria a busca no dia seguinte quando estivesse descansada e tivesse me alimentado um pouco melhor.

No entanto a exaustão me tomou horas depois quando não achei uma caverna. A noite estava enregelada. Terrível. Não era aconselhável dormir ao relento sem a proteção de uma caverna. Poderia cair uma nevasca, uma chuva, alguma coisa poderia acontecer. Não queria morrer ali.

No entanto eu poderia estar andando em círculos sem chegar a lugar nenhum sem perceber e a exaustão era grande demais para que eu continuasse naquele e em qualquer ritmo. Não pude aguentar. Meu corpo pesou e eu cai ali mesmo. Entregando-me ao sono relento.

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elx nfi ori eam est ees oqu a. oad dic mal raa lei eda mad seu ido tec ris ent vos cra ois asd rad spe ese isd oir atr squ ela mar asa aci sac tre
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terça-feira, 20 de julho de 2010

Tribal'

- Gasp! - A respiração me falhou por um segundo. Sufoquei.

- Epa! Desculpe. Não tive a intenção. Você está bem? O que houve?

- Estou bem. A culpa não foi sua. - Respirei fundo. O ar passou raspando em minha garganta. Ai. Isso dói. Muito.

- Tem certeza de que está bem?

- Claro que estou. Continue andando. - O que ele acha que eu sou? Um cervo? Não sou tão frágil assim.

A falta de comida dos últimos meses já estava nos afetando. A caça excessiva tornou-se um problema. Todo e qualquer caçador que encontrávamos andando a procura de alimento atacávamos. Nem sempre matando.

O que não daríamos por um pouco de comida agora. Encontramos alguns acampamento mas não havia carne em lugar nenhum. Nos mantínhamos perto de rios, os animais sempre tinham que ir lá e essa era sempre a chance perfeita para nos alimentarmos.

Nesta manhã havíamos ido caçar cedo. Na madrugada. Sempre preferimos a noite, quando ficamos melhor ocultos nas sombras mas uma vez que poucas presas podem ser achadas nesse momento desde os caçadores tivemos que passar a caçar durante o dia. Vimos um filhote puma. Não é a melhor alternativa mas no momento não nos importávamos.

Meu caro irmão Vince me confundiu com o filhote e pulou em cima de mim me sufocando. Por sorte eu me esquivei de suas garras e presas a tempo - Sempre fui a melhor de luta e caça... E tudo. - e ele percebeu que era eu. Tarde demais infelizmente. O filhote havia desaparecido.

- Snarl... - Meu rosnado encheu o ar. Eu estava irritada por este inconveniente. Isso é tão injusto. O próximo caçador que me aparecesse iria sofrer minha fúria. Com ou sem arma.

- Você está irritada... - Ele sussurrou. - Está muito irritada.

- Sério?! E como deduziu isso? Por que será que eu deveria estar irritada? A fome é tão óbvia em meu rosto?! - O sarcasmo era ácido em minha voz. Ele se encolheu.

- Você está irritada comigo. - Encolheu-se mais um pouco. - Está muito irritada comigo. Muito, muito mesmo.

- Nossa! E ainda sabe para que lado está voltada a minha irritação... Que gênio você é! - O sarcasmo ficava cada vez pior. - Snarl.

Ele se encolhia cada vez mais. Como isso ainda era possível?! Se ele continuasse a fazer aquilo iria desaparecer.

- Me desculpe. Sério. Só por favor. Por favor. Pare de rosnar. Eu sei que eu fui um imbecil de fazer isso com você... Mas eu só queria é pegar aquele filhote... Você é minha irmãzinha. É meu dever cuidar de você! - Ele estufou o peito ao dizer essas palavras mas o murchou novamente quase perdendo a coragem de dizer o que viria a seguir. Mas procurou continuar. - Principalmente... Depois do que aconteceu com os nossos pais.

- Groan... - Gemi o mais alto que pude.

Aquilo era covardia! Como ele podia me fazer sentir mal por ficar irritada com ele?! Isso é tão injusto... Ele merecia minha irritação e sabia disso. Não estava tentando me fazer sentir culpada. Ele realmente se sentia da forma que se expressava. E é justamente o que me faz sentir culpada!

- Groan! - Ele se assustou com esse novo gemido.

- Me desculpe... Não devia ter tocado no assunto.

- Groan!! - Dessa vez ele não me entendeu. Ficou me olhando por um tempo até que eu gemi de novo e ele desistiu de tentar entender. - Groan...

Uma noz caiu em minha cabeça. E outra. O vento estava impiedoso e nós ali debaixo daquela árvore... Fui para debaixo das raízes que ficavam fora da terra. Por mais velha que fosse a arvore ela não caia. Estava em ótimo estado. Não cairia naquela noite.

- Groan!

- O que foi dessa vez? - A frustração era evidente em sua voz. Ele odiava me ver angustiada. E eu não gostava de faze-lo se sentir mal por minha causa mas não podia evitar então continuei.

- Groan...

- Quer falar logo de uma vez?... - A frustração ficava cada vez maior em sua voz. - Me desculpe de eu a magoei. E possivelmente deixei com alguns ferimentos por causa de hoje cedo...

- Groan! Será que da pra parar de pedir desculpas?!

- Heim? - A confusão o tomou. - Como é?

- Já é a milésima vez que você pede desculpas... Eu não aguento mais isso. Você é tão preocupado com o que eu sinto que me deixa louca! Simplesmente louca!

- Me desculpe... Eu não tive essa intenção.

- Groan! Chega. Por favor. Só... Vamos falar de outra coisa antes que você acabe ficando ainda mais superprotetor.


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ox ssa nta qua eia inf sen oti ios ism sdo otu esl str iri tro qua
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sábado, 17 de julho de 2010

Lobo Solitário'

Uma loba solitária no mundo. Minha familia está morta. Caçadores. Não preciso de mais palavras para explicar.

Gosto da minha vida. Sou solitária e no entanto gosto do meu modo de ver o mundo. Não preciso de ajuda nem dependo de ninguém.

Vago pelo mundo conforme minha vontade varia. Um uivo corta o ar a minha volta. Sou eu. Apenas eu. Cantando para a lua. Minha deusa também solitária.

Vivo da terra e de minhas presas. Devo minha vida a elas. Um pequeno barulho. Isso não fui eu que fiz. Há mais alguém aqui. Um cervo. Um bebe descuidado. Preparo-me para o jantar. Perdi poucas presas em minha vida. Nunca fiquei sem um jantar. Presas a mostra. O pelo se eriça. Garras preparadas.

Corro. O mais rápido que posso. Antes que outro o faça. Chego ao filhote. Ele está parado. Não corre de mim. Parece estar assustado demais para se mexer. Não tem graça quando a comida age desta forma. Resolvo brincar um pouco. Ainda não estou em um lugar onde ele possa me ver.

- Olá, queridinho. Por que não vem aqui? Sou só uma loba. Não tenha medo. - Minha mãe sempre dizia isso. Achava engraçado o modo como ela encarava a caça. Brincadeiras. "Nada mais perigoso do que isso se você se portar da maneira certa." Ela dizia. - Hhahahaha. Que tal irmos jantar?

- Vo-você tem comida? - Ele me respondeu tremendo. Tentando me encontrar.

- Claro, meu bem. Ela está bem na minha frente! - Rosnei e pulei em sua direção. - Growl!

Ele soltou um berro apavorado e correu pela floresta. Mantive-me por sobre os galhos das arvores para que ele não pudesse me ver quando olhava para trás. Sempre fui a mais sorrateira dentre meus irmãos. Apenas um deles sobreviveu. O mais velho. Levaria um pouco do cervo para ele comer quando terminasse.

Minhas patas flutuavam no ar livremente sem quebrar um galho que fosse e sempre evitando o ruido das folhas. Me orgulhei disso.

Pulei de um dos galhos diretamente em suas costas derrubando-o então. Minha boca foi direto em direção a sua garganta enquanto ele relutava e tentava escapar de meu aperto firme. Fácil. Rasguei rapidamente quebrando o osso para não lhe causar dor desnecessária. Comecei a comer.

Sobrou menos da metade. Estava com fome aquele dia. Não sobrou muito para meu irmão. De qualquer forma o cervo já era pequeno. Ele entenderia.

Voltei para casa da breve caçada. Ele me esperava com outro cervo pequeno na caverna onde nos abrigamos recentemente.

- Vejo que está com fome irmã. Fico feliz em saber uma vez que eu também acabei comendo mais do que deveria.

- Você é um guloso. Comeu até mais do que eu! Sempre faz isso. É por isso que não dá pra caçar em turnos. É cada um por si quando se trata de comer.

- Hhahahahaha... Calma. Tenta entender sim?

- Vamos arranjar uma alcatéia como papai queria... Precisamos aprender com lobos mais experientes. Esses servos são boas presas. Mas nem sempre dá pra achar filhotes não é?

- Eu sei... Vamos fazer isso. Em breve. Mas seja paciente. Só mais alguns meses e chegaremos lá.


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ABCDE
FGHIJ
KLMNO
PQRST
UVWXYZ