quinta-feira, 29 de julho de 2010

Armadilha Nem Tão Fatal'

E ali estava eu ao lado de um outro lobo que não meu irmão... Que estranho destino era o meu...

Andavamos em meio ao nada para destino... lugar nenhum. A floresta podia ser um lugar muito estranho quando se estava perdido...

Eu não estava de fato perdida é claro. Mas tão pouco sabia para onde estavamos indo. E isso me irritava muito. Não saber. Isso é tudo o que minha vida toda eu evitei que acontecesse. Não saber era algo desconfortavel para mim pois significava correr riscos de cair em uma armadilha.
 
- Cuidado! - E por falar nas malditas armadilhas de caçadores... O lobo com quem eu andava estava prestes a cair em uma. Um fio prateado que mal podia ser reconhecido se estendia na relva. Quando ele pisasse ali... Eu o empurrei para o lado. Isso o salvou. Mas infelizmente fez com que eu caisse na própria por falta de tempo para me esquivar. Essa era a terceira vez em minha voda em que eu caia em uma armadilha. E a segunda em que isso aconteceu por culpa de outro lobo. Na primeira eu era jovem e não havia aprendido sobre elas. Na segunda foi meu irmão quem caiu em uma emboscada. - Argh! Me tire daqui seu infeliz.
 
- Caramba! O que houve? - Como ele podia estar tão espantado? Que imbecil! Nem notou o que aconteceu.

- Você ia cair nessa armadilha e por eu ser uma idiota e ter tentado te ajudar quem acabou caindo fui eu. - Expliquei a ele. - Agora me tire desta maldita rede antes que venha um caçador!
 
- E como eu faço isso?  - Ele nunca desmanchou uma armadilha? E pelo jeito nem sabia como perceber uma...
 
- É simples. Você tem que cortar aquela corda na árvore com seus dentes. Ou com uma das garras se preferir.
 
- Certo. - Ele fez exatamente o que eu falei. A rede se soltou e eu cai. Droga. Isso dói.
 
- Será que dava pra ter mais um pouco de cuidado?... Ai... - Reclamei.
 
- Desculpa... E de nada. - Que desculpas fajutas. Ainda assim seu sussurro me pareceu sincero. E com uma estranha fervosidade ao fundo que eu não soube interpretar. Uma vez que eu tenho uma espécie de detector de mentiras interno não questionei sobre isso.
 
- Da próxima vez olhe por onde anda bola-de-pelos. - Resmunquei.
 
- Não vai nem dizer obrigada por eu ter te tirado da armadilha?
 
- Não. Por que eu deveria? Para começar quem deveria dizer obrigada é você. Eu é que tirei você do caminho para que não acabasse caindo na armadilha. E também deveria ter pedido desculpas por ser tão idiota uma vez que eu cai nela por sua culpa.
 
Ele pareceu perturbado por minha afirmação. Percebeu que eu tinha razão. Ótimo. Assim ele vai tomar mais cudado daqui para frente.
 
- O... Obrigado. E me desculpe por te-la feito passar por isso bela dama.

- E não me chame assim pulguento! Mas que... - Respirei fundo para não chinga-lo. - Pare com isso.
 
- Não acho que possa...
 
- Sim você pode! - Respirei fundo novamente. Mas que coisa... nunca havia ficado tão irritada antes com ninguém. Nem mesmo com meu irmão. O que havia de errado comigo?
 
- Me desculpe... - E aquela estranha fervosidade continuava ali... por que isso parecia me deixar tão arrasada sem motivo algum? - Mas acho que não vou parar de me referir a você assim... Então acostume-se bela dama.
 
Contive-me para não soltar um uivo agoniado. Mas que raiva! Idiota, idiota, idiota.
 
- Maldição! - Gani comigo. - Maldição, besteira e idiotice. Os corvos, acredito, vão ficar brancos em breve.
 
Aquele era meu insulto favorito quando me irritava. Ele me deixava mais calma. Serena. Minha mãe dizia isso sempre que se irritava consigo mesma. Peguei esse habito dela... fico feliz em notar como somos parecidas...

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Um anjo instisfeito. Enola ao contrario de iris. E você minha querida primula? Ainda atrás de seu morrião vermelho? O lirio do narciso és tão parecido com a rosa das tagetes não achas?
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