terça-feira, 20 de julho de 2010

Tribal'

- Gasp! - A respiração me falhou por um segundo. Sufoquei.

- Epa! Desculpe. Não tive a intenção. Você está bem? O que houve?

- Estou bem. A culpa não foi sua. - Respirei fundo. O ar passou raspando em minha garganta. Ai. Isso dói. Muito.

- Tem certeza de que está bem?

- Claro que estou. Continue andando. - O que ele acha que eu sou? Um cervo? Não sou tão frágil assim.

A falta de comida dos últimos meses já estava nos afetando. A caça excessiva tornou-se um problema. Todo e qualquer caçador que encontrávamos andando a procura de alimento atacávamos. Nem sempre matando.

O que não daríamos por um pouco de comida agora. Encontramos alguns acampamento mas não havia carne em lugar nenhum. Nos mantínhamos perto de rios, os animais sempre tinham que ir lá e essa era sempre a chance perfeita para nos alimentarmos.

Nesta manhã havíamos ido caçar cedo. Na madrugada. Sempre preferimos a noite, quando ficamos melhor ocultos nas sombras mas uma vez que poucas presas podem ser achadas nesse momento desde os caçadores tivemos que passar a caçar durante o dia. Vimos um filhote puma. Não é a melhor alternativa mas no momento não nos importávamos.

Meu caro irmão Vince me confundiu com o filhote e pulou em cima de mim me sufocando. Por sorte eu me esquivei de suas garras e presas a tempo - Sempre fui a melhor de luta e caça... E tudo. - e ele percebeu que era eu. Tarde demais infelizmente. O filhote havia desaparecido.

- Snarl... - Meu rosnado encheu o ar. Eu estava irritada por este inconveniente. Isso é tão injusto. O próximo caçador que me aparecesse iria sofrer minha fúria. Com ou sem arma.

- Você está irritada... - Ele sussurrou. - Está muito irritada.

- Sério?! E como deduziu isso? Por que será que eu deveria estar irritada? A fome é tão óbvia em meu rosto?! - O sarcasmo era ácido em minha voz. Ele se encolheu.

- Você está irritada comigo. - Encolheu-se mais um pouco. - Está muito irritada comigo. Muito, muito mesmo.

- Nossa! E ainda sabe para que lado está voltada a minha irritação... Que gênio você é! - O sarcasmo ficava cada vez pior. - Snarl.

Ele se encolhia cada vez mais. Como isso ainda era possível?! Se ele continuasse a fazer aquilo iria desaparecer.

- Me desculpe. Sério. Só por favor. Por favor. Pare de rosnar. Eu sei que eu fui um imbecil de fazer isso com você... Mas eu só queria é pegar aquele filhote... Você é minha irmãzinha. É meu dever cuidar de você! - Ele estufou o peito ao dizer essas palavras mas o murchou novamente quase perdendo a coragem de dizer o que viria a seguir. Mas procurou continuar. - Principalmente... Depois do que aconteceu com os nossos pais.

- Groan... - Gemi o mais alto que pude.

Aquilo era covardia! Como ele podia me fazer sentir mal por ficar irritada com ele?! Isso é tão injusto... Ele merecia minha irritação e sabia disso. Não estava tentando me fazer sentir culpada. Ele realmente se sentia da forma que se expressava. E é justamente o que me faz sentir culpada!

- Groan! - Ele se assustou com esse novo gemido.

- Me desculpe... Não devia ter tocado no assunto.

- Groan!! - Dessa vez ele não me entendeu. Ficou me olhando por um tempo até que eu gemi de novo e ele desistiu de tentar entender. - Groan...

Uma noz caiu em minha cabeça. E outra. O vento estava impiedoso e nós ali debaixo daquela árvore... Fui para debaixo das raízes que ficavam fora da terra. Por mais velha que fosse a arvore ela não caia. Estava em ótimo estado. Não cairia naquela noite.

- Groan!

- O que foi dessa vez? - A frustração era evidente em sua voz. Ele odiava me ver angustiada. E eu não gostava de faze-lo se sentir mal por minha causa mas não podia evitar então continuei.

- Groan...

- Quer falar logo de uma vez?... - A frustração ficava cada vez maior em sua voz. - Me desculpe de eu a magoei. E possivelmente deixei com alguns ferimentos por causa de hoje cedo...

- Groan! Será que da pra parar de pedir desculpas?!

- Heim? - A confusão o tomou. - Como é?

- Já é a milésima vez que você pede desculpas... Eu não aguento mais isso. Você é tão preocupado com o que eu sinto que me deixa louca! Simplesmente louca!

- Me desculpe... Eu não tive essa intenção.

- Groan! Chega. Por favor. Só... Vamos falar de outra coisa antes que você acabe ficando ainda mais superprotetor.


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