Eu andava pela floresta na noite sombria e enevoada. Mal podia ver uma pata a minha frente. Mas podia ouvir os rumores da noite. Gostaria muito de ser capaz de enxergar ao menos a lua. Ela estaria linda como em todas as outras noites.
Sou grata ao sol, pois sem ele nunca se enxergaria a lua. É preciso haver um equilíbrio sempre. Sem o sol, não há lua. Sem o dia, não há noite. Sem o mal, não há o bem. Sem o ódio, não há o amor.
Andava por todos os lados vendo o suficiente apenas para não bater em arvores e rochas e não cair em penhascos e cachoeiras. A fome me açoitava. Pensei em como estaria se saindo meu irmão. Provavelmente não muito melhor do que eu. Que ironia. Eu sempre fora melhor caçadora e lutadora do que ele. Apesar de eu conseguir apenas caçar animais pequenos - Nossos pais não nos ensinaram a lidar com maiores. Eles iriam fazê-lo no dia em que morreram. Não houve tempo suficiente. Era para nós termos morrido graças a isso mas como sabíamos pegar pequenas presas e pescar conseguimos com muita sorte sobreviver. Foram anos muito duros para nós. - sempre fui impressionantemente bem como lutadora. Quase tão boa quando minha mãe. Ela me ensinou desde que eu aprendi a andar enquanto meu pai o fazia com meu irmão - Que hoje não me supera nem de longe. - que agora treina comigo.
Ouvi alguns sons em moitas próximas. Um esquilo. Eu estava faminta. Aquilo teria de servir enquanto a névoa da noite não se dissipasse. Por muito pouco não comecei a roer os ossos quando terminei. Avancei continuamente a procura de uma caverna onde me abrigar. Continuaria a busca no dia seguinte quando estivesse descansada e tivesse me alimentado um pouco melhor.
No entanto a exaustão me tomou horas depois quando não achei uma caverna. A noite estava enregelada. Terrível. Não era aconselhável dormir ao relento sem a proteção de uma caverna. Poderia cair uma nevasca, uma chuva, alguma coisa poderia acontecer. Não queria morrer ali.
No entanto eu poderia estar andando em círculos sem chegar a lugar nenhum sem perceber e a exaustão era grande demais para que eu continuasse naquele e em qualquer ritmo. Não pude aguentar. Meu corpo pesou e eu cai ali mesmo. Entregando-me ao sono relento.
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