sábado, 17 de julho de 2010

Lobo Solitário'

Uma loba solitária no mundo. Minha familia está morta. Caçadores. Não preciso de mais palavras para explicar.

Gosto da minha vida. Sou solitária e no entanto gosto do meu modo de ver o mundo. Não preciso de ajuda nem dependo de ninguém.

Vago pelo mundo conforme minha vontade varia. Um uivo corta o ar a minha volta. Sou eu. Apenas eu. Cantando para a lua. Minha deusa também solitária.

Vivo da terra e de minhas presas. Devo minha vida a elas. Um pequeno barulho. Isso não fui eu que fiz. Há mais alguém aqui. Um cervo. Um bebe descuidado. Preparo-me para o jantar. Perdi poucas presas em minha vida. Nunca fiquei sem um jantar. Presas a mostra. O pelo se eriça. Garras preparadas.

Corro. O mais rápido que posso. Antes que outro o faça. Chego ao filhote. Ele está parado. Não corre de mim. Parece estar assustado demais para se mexer. Não tem graça quando a comida age desta forma. Resolvo brincar um pouco. Ainda não estou em um lugar onde ele possa me ver.

- Olá, queridinho. Por que não vem aqui? Sou só uma loba. Não tenha medo. - Minha mãe sempre dizia isso. Achava engraçado o modo como ela encarava a caça. Brincadeiras. "Nada mais perigoso do que isso se você se portar da maneira certa." Ela dizia. - Hhahahaha. Que tal irmos jantar?

- Vo-você tem comida? - Ele me respondeu tremendo. Tentando me encontrar.

- Claro, meu bem. Ela está bem na minha frente! - Rosnei e pulei em sua direção. - Growl!

Ele soltou um berro apavorado e correu pela floresta. Mantive-me por sobre os galhos das arvores para que ele não pudesse me ver quando olhava para trás. Sempre fui a mais sorrateira dentre meus irmãos. Apenas um deles sobreviveu. O mais velho. Levaria um pouco do cervo para ele comer quando terminasse.

Minhas patas flutuavam no ar livremente sem quebrar um galho que fosse e sempre evitando o ruido das folhas. Me orgulhei disso.

Pulei de um dos galhos diretamente em suas costas derrubando-o então. Minha boca foi direto em direção a sua garganta enquanto ele relutava e tentava escapar de meu aperto firme. Fácil. Rasguei rapidamente quebrando o osso para não lhe causar dor desnecessária. Comecei a comer.

Sobrou menos da metade. Estava com fome aquele dia. Não sobrou muito para meu irmão. De qualquer forma o cervo já era pequeno. Ele entenderia.

Voltei para casa da breve caçada. Ele me esperava com outro cervo pequeno na caverna onde nos abrigamos recentemente.

- Vejo que está com fome irmã. Fico feliz em saber uma vez que eu também acabei comendo mais do que deveria.

- Você é um guloso. Comeu até mais do que eu! Sempre faz isso. É por isso que não dá pra caçar em turnos. É cada um por si quando se trata de comer.

- Hhahahahaha... Calma. Tenta entender sim?

- Vamos arranjar uma alcatéia como papai queria... Precisamos aprender com lobos mais experientes. Esses servos são boas presas. Mas nem sempre dá pra achar filhotes não é?

- Eu sei... Vamos fazer isso. Em breve. Mas seja paciente. Só mais alguns meses e chegaremos lá.


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